Shopping Popular, mais um território da Coca-Cola.

Foram poucas às vezes que entrei no Shopping Popular. Há uma infinidade de produtos oferecidos ali, todos expostos amontuadamente. No último piso, uma praça de alimentação. Não é preciso chegar muito perto para sentir o cheiro forte de comida. Da primeira vez que fui lanchar lá uma mulher - vendedora de lingerie - se apropriou de um discurso comumente masculino: até que enfim uma pessoa bonita passando
por aqui. Eu recebi a frase como cantada, mesmo que não tenha sido isso. Já na praça da alimentação uma senhora me arguiu: você fala português?

Dessa última vez que lá fui, me chamou atenção a presença massiva de publicidade da Coca-Cola. Antes não estava assim... Um cartaz enorme pendurado na caixa do elevador, cartazes nas mesas de biscoito. Os letreiros das lanchonetes eram todos aparentemente patrocinados pela Coca. Além dos letreiros propagandas de promoções: refeição + coca, salgado + coca. Propaganda de uma garrifinha menor, não vista em todo comércio, por 75 centavos. Devem querer atingir o público mais pobre com a ideia de "é menos que um real, apenas umas moedinhas para matar a sede prazeirosamente". Para completar as mesas vermelhas.

Achei terrível. Fiquei imaginando como trabalham os publicitários, escolhendo as palavras e imagens certas para se comunicar com pessoas que provavelmente não tem a real dimensão dos malefícios do refrigerante. Uma empresa multimilionária que não se priva de sugar os centavos dos mais pobres. Se eles não tem condições de pagar 3 reais numa latinha, façamos um produto específico para esse nicho, ainda mais barato. Temos que atacar todos os mercados dos estilistas parisienses às empregadas domésticas piauienses.

Por último, fica a pergunta... por que não aprendemos com os caras da publicidade como se comunicar com a sociedade? Eles sabem os instrumentos e as melhores palavras. Eles não dizem: o povo não nos consome porque não tem inteligência, porque não entende. Eles sabem muito bem a resposta para: mas e agora, como é que a gente faz pra enfiar na cabeça das pessoas que isso é importante. É difícil falar para o povo, valorize a cultura e o meio-ambiente. Mas dizer Beba Coca-Cola é facim-facim.

6 comentários:

  1. Mas fia, a missão de fazer as coisas com escrúpulos e ética é mto mais difícil q simplesmente empurrar qqer porcaria pra cima de qqer incauto sem mediar as consequências. A suposta genialidade de publicitários e psicopatas não passa de uma boa capacidade de seguir o caminho mais fácil.

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  2. Eh :( Eu pensei nisso depois. Pensei até em tirar esse texto do blog. Mas deixei aí o desabafo/provocação.

    Mas apesar dos níveis de complexidade. Acho que podemos sim aprender a nos comunicarmos melhor. E para mim uma boa comunicação começa com a busca de usar um vocabulário em comum. Se eu quero passar uma mensagem a um determinado público tenho que entender os códigos desse grupo e não querer que eles se esforcem para entender minha linguagem.

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  3. eu li uma estatística que daqui a 15~20 anos o consumo de sucos vai superar o de refrigerantes, com isso em vista a coca investiu pesado nesse ramo. A questão é que esses sucos da coca passam por processos industriais que retirem diversos nutrientes (como é o caso da retirada da vitamina C do suco de laranja)

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  4. Além do gosto terrível né? Tem um documentário sobre a Coca-Cola feito pela superinteressante, eles falam que uma das frustrações da coca é que na china a bebida mais consumida era o chá ao invés do refri. Não sei lá, mas aqui no Brasil a coca fabrica o Nestea.

    Eu sempre que posso tomo suco ou água. A não ser no avião que acabo cedendo aquele suquinho safado da gol. Acho que vou começar a ficar só na água.

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  5. não é a toa q a coca-cola é o refrigerante mais consumido do mundo!

    aproveitando pra seguir o blog

    bjkssssssssss

    http://ibagis.grandemidia.net

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  6. A coca-cola usa uma forma de propaganda extremamente agressiva. Como disseste, direta e limpa(?). O povo cai e nem dá conta! Para além disso há toda a estrutura montada nos meios de comunicação social, que apelam ao consumo (duma maneira geral) desenfreado. Abs.

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