Cartas

A primeira lembrança que tenho de receber uma carta do meu avô eu era bem pequena. Tinha... sei lá... uns 5 anos, mal sabia ler. Era um postal de Veneza, com uma gôndola e personagens da Disney. Fiquei muito feliz de saber que o vovô enquanto se divertia, lembrava-se de mim.

Aos 13 anos fui morar longe dele. Vez ou outra trocamos cartas. Não é porque meu avô seja idoso e não
saiba usar as novas tecnologias. Pelo contrário, apesar dos seus 70 e poucos anos, vovô tem seu próprio computador, usa skype, faz pesquisas no google e lê livros num tablet. Me orgulho de vê-lo sintonizado com a vida contemporânea.

Mas as cartas... Têm um sabor especial, um ritmo outro.  Desenhando as letras, caprichando na caligrafia para ficar legível, reflito com mais calma sobre o que escrevo. Terminada a carta, tenho que carrega-la aos Correios. É mais um tempo para saber se aquelas palavras realmente devem seguir viagem.

Depois quem recebe uma carta, dificilmente a ignora. Se escrevo um e-mail, ele pode ir parar na lixeira sem que o destinatário dê conta que descartou as minhas carinhosas palavras. Uma carta não. Uma carta é uma boa surpresa, mesmo quando as notícias não são as melhores. 

Uma carta toma tempo. E tempo é para nós homens "modernos" e afobados, das coisas mais valiosas. É portanto, sinal de que realmente me importo contigo, pois dediquei a ti, na era da instantaneidade, algumas horas.


5 comentários:

  1. http://provisorio987.blogspot.com.ar/2010/01/bar-do-arantes-murakami-y-el-pantano.html

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    1. Eita que legal! Um texto que dialoga com o meu. Gostei da sua crônica. Bastante poética :)

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  2. Acabei vindo parar aqui para ler um post e quando via tinha lido vários, e já eram 15 e 20 hehe... adorei seus textos, deixou meu dia mais feliz! beijos

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    1. Que delícia ler seu comentário e saber que contribui pra felicidade do seu dia. É a Carol Galega né? Beijos!

      Obrigada pela visita!

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