Quadrilha

Caio Prado Junior, que trabalhou com Monteiro Lobato no jornal "A platéia", escreveu "História Econômica do Brasil", que foi resenhado por Fernand Braudel, que era um dos líderes da Escola Annales, da qual também fazia parte Jacques Le Goff, que não tinha entrado na história. 

Por que raios essas relações? São os escritores que andei lendo esse ano. Mas a vez hoje é de Caio Prado e o livro bem ali citado. Seu texto fez com que eu me sentisse de volta às aulas de história do colégio. Não é de modo algum uma narrativa pesada e me peguei empolgada lendo história econômica no meio das madrugadas. Os capítulos são curtos, informação compactada.O autor não se restringe a economia, fala da sociedade e da política, suas imbricações. Dedica-se fervorosamente a questão da escravidão no Brasil e nem de longe cita princesa alguma, afinal esse apelo romanesco à história da libertação dos escravos realmente só poderia ser uma versão infantil da história.

Boa parte do livro se refere a história colonial. Em outro tanto o autor argumenta que o Brasil jamais deixou de ter uma economia colonial, que mesmo a nossa industrialização não tinha como objetivo atender as necessidades nacionais. Estávamos sempre servindo a interesses externos.

Mesmo sem nunca ter lido nada sobre o livro, havia criado as minhas expectativas. Imaginei um texto estritamente voltado para economia, abrangendo um espaço temporal maior. Talvez porque eu sequer tivesse me dado ao trabalho de ver o ano da publicação original antes de sair fazendo deduções.

Mas não foi só eu quem sentiu falta de algo, Braudel dá-se ao luxo da contradição: "Posso afirmar que o considero muito breve, apesar de sua amplitude? ". Enfim para aqueles que almejem uma opinião mais técnica sobre a publicação eu recomendo a resenha do historiador francês.

2 comentários:

  1. Após ler todo o texto posso afirmar com categoria: eu li todo o texto.

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  2. Eu conheço tudo essas gente, elas tomavam café na casa da vó antigamente.

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